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Ensino de condução e educação rodoviária

16/09/2009

Foi apresentado este ano, pela unidade responsável pela política de segurança rodoviária da Direcção Geral de Energia e Transportes da UE, um documento sobre ensino de condução e educação rodoviária. Este documento teve como objectivo analisar e resumir o resultado de vários projectos neste domínios, co-financiados pela União Europeia ou desenvolvidos pelos diferentes Estados-Membros, e fornece uma ferramenta de trabalho para a definição de linhas de orientação e recomendações para um ensino da condução e uma segurança rodoviária eficientes, dentro da União Europeia.

O documento começa por abordar o facto de estudos efectuados nas ultimas décadas concluírem que os condutores mais recentes, apresentam um risco maior para a segurança rodoviária, essencialmente por 2 motivos:

  • Falta de experiência. Sem experiência, os tempos de reacção são maiores, os padrões de pesquisa visual estão menos desenvolvidos, e os condutores são distraídos mais facilmente.
  • Factores externos, não directamente relacionados com a condução, que influenciam a habilidade e motivação para conduzir de forma segura. Estes são factores relacionados com diferentes parâmetros psicológicos e fisiológicos, tal como a educação parental, género, performances na escola ou no trabalho, actividades sociais, registos criminais. Consequentemente é importante focarmo-nos também neste factores e não apenas na técnica de condução e habilidade para manobrar o veículo.

Assim, foi proposto a utilização da Matriz GDE (Goals for Driver Education, objectivos para a educação rodoviária, em português).

Esta Matriz tem como objectivo providenciar uma ferramenta de trabalho que defina as competências necessárias para ser um condutor seguro. Pode ser utilizada para definir objectivos de educação e índices em treino de condução. Um ensino eficiente deve cobrir o máximo possível da matriz e não se focar apenas nos níveis mais baixos, como os programas tradicionais costumam fazer.

A Matriz GDE é baseada na ideia que a tarefa da condução pode ser descrita por uma hierarquia. A ideia da hierarquia é que as habilidades e pré-condições num nível superior influenciam as decisões e o comportamento num nível inferior.

Elementos Essenciais do Ensino da Condução
Conhecimento e habilidades Factores de risco acrescido Auto-avaliação
IV. Características Pessoais, Ambições e Competências (Nível Geral) Conhecimento e controlo das ambições gerais de vida, valores e normas e tendências pessoais que influenciem o comportamento ao volante: Estilo de vida, normas de grupo, motivações de vida, auto-controlo, valores pessoais Tendências de Risco: Aceitação do risco, sensação de auto-valor ao volante, adaptação à pressão social, consumo de álcool e drogas Auto-consciência em relação a: controlo dos impulsos, tendências de risco, motivos pessoais de insegurança, características pessoais de risco
III. Contexto e Considerações relacionadas com a viagem (Nível Estratégico) Conhecimento e habilidade em: definir e escolher a rota, estimar o tempo de viagem, estimar a urgência da viagem Riscos relacionados com: condição fisiológica do condutor, tipo de estrada (urbano/rural), contexto social e companhia no veículo, outros motivos como competição no tráfego Auto-consciência em relação a: habilidades pessoais relativas ao planeamento de uma viagem, motivos de risco típicos quando conduz
II. Domínio de Situações de Tráfego (Nível Táctico) Conhecimentos e habilidades relacionados com: Regras de trânsito, observação e utilização de sinalização, antecipação, adaptação da velocidade, comunicação, distâncias de segurança Riscos causados por: Fraco poder de decisão, estilo de condução de risco (por exemplo, agressivo), excesso de velocidade, infracção de regras de trânsito, comportamento imprevisível, excesso de informação, más condições de circulação (escuridão, mau tempo), automatismos insuficientes Auto-consciência em relação a: Forças e fraquezas relacionadas com a habilidade ao volante, estilo pessoal de condução, forças e fraquezas perante situações de perigo, avaliação realística das próprias capacidades
I. Controlo Básico do Veículo (Nível Operacional) Conhecimentos e habilidades relacionados com: Controlo da direcção e da posição do veículo, controlo da pressão dos pneus, percepção correcta das dimensões do veículo, aspectos técnicos do veículo Riscos relacionados com: automatismos insuficientes das habilidades básicas, más condições de circulação, utilização imprópria do cinto de segurança, posição de condução incorrecta Auto-consciência em relação a: Forças e fraquezas relacionadas com o controlo básico do veículo, forças e fraquezas ao manobrar em situações perigosas, avaliação realística das próprias capacidades

O ensino tradicional foca-se essencialmente nos níveis nos níveis 1 e 2. No entanto, um condutor seguro, não é apenas um condutor habilidoso, mas também um condutor consciente dos riscos e das suas características e capacidades como pessoa.

Como conclusão deste estudo, são apontadas algumas recomendações para um ensino da condução e uma educação rodoviária mais eficientes:

  • Maior número de horas de prática de condução;
  • Alternar a ministração do ensino teórico com o ensino prático (já praticado em Portugal);
  • Definir padrões para os instrutores de condução, sendo esta profissão definida e desenvolvida da mesma forma, em todos os Estados-Membros da UE;
  • Definir novas formas de exames de condução, em que não seja avaliado apenas a habilidade ao volante e o conhecimento das regras de trânsito;
  • Dar mais importância a cenários de risco elevado;
  • Reduzir situações de exposição de alto risco, tal como o caso de condutores recentes. Poderão ser definidas medidas excepcionais, mais restritivas para este tipo de condutor.

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